Palavra por palavra
Há alguns dias me disseram que a vontade de escrever um livro tinha ficado de lado. Não porque o aspirante a autor não desejasse ver o seu nome estampando a capa de um livro, sua obra prima. Não porque, muito provavelmente, o que ele tivesse para dizer fosse chocar ou escandalizar os leitores. O motivo era muito simples. Ele achava que não sabia escrever adequadamente. E a complexidade dessa fala merece atenção.
A escrita é, e sempre será, uma ferramenta de dominação. Quem escreve é superior a quem não escreve porque o poder de contar ou não uma história está em suas mãos. A forma de contar essa história também. Tudo que nos lembraremos daquela situação específica quando a memória já não for suficiente será aquilo que estava escrito. Estava escrito. Ponto. Não há mais o que argumentar. De tão habituados que estamos em pensar dessa forma, passamos a acreditar que as pessoas comuns não têm nada de importante a dizer. Que as nossas histórias não valem nada. Que os nossos argumentos não devem ser levados em conta. Uma postura justificada pelo velho “eu não sei escrever” e transmitida de geração para geração por aqueles que detêm o poder da palavra e temem ter que dividi-lo – porque eles sabem o que está em jogo.
Felizmente, vivemos em um momento de mudança. Podemos virar a mesa e contar, nós mesmos, a nossa vida com o auxílio de uma rede social ou de uma página na internet. Nós estamos retomando nosso papel como agentes da própria história. Isso é lindo.
Podemos escrever o que quisermos, da forma que quisermos, com as palavras que quisermos para mostrar a nossa forma tão única de ver o mundo. E se tivermos que chocar os outros, avante, meus irmãos, vamos chocar pra valer. Vamos deixar escandalizado o mundo que sempre nos escandalizou com sua realidade inevitável. A revolução nos espera!
Quem vem comigo?
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